Domingo, Novembro 22, 2009

Resumo de Brás Cubas



















Ao verme
que
primeiro roeu as frias carnes
do meu cadáver
dedico
estas
Memórias Póstumas


















Algum tempo hesitei se devia abrir essas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.


















Morri de uma pneumonia, mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.


















Um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas.


















A minha ideia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se em ideia fixa. Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.


















Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar nossa melancólica humanidade.


















o melhor que há, quando não se resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora.


















Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.


















Assim eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.


















Invenções há, que se transformam e se acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.


















Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve nem míngua nem sobra. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo: Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009



















A criação toda é abstrata. O espaço inteiro é abstrato. Tudo é abstrato. Estamira também é abstrato.

Estamira


















"Eu sou ruim, mas não sou perversa. Ruim, não perversa. E não vou deixar de ser ruim".

Estamira


















“O homem é o único condicional”

(Estamira)


















“A minha missão é ensinar o que eles não sabem: os inocentes.
Aliás, não tem mais inocente. Tem é esperto-ao-contrário”.


(Estamira)

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Sacramento



















Toco
toco poros
amarras
baías toco
teclas de nervo
molas
tecidos que me tocam
cicatrizes
cinzas
trópicos ventres toco
solos solos
ressacas
estertores
toco e mais toco
e nada

(Tropos - Oliverio Girondo)

A desenhista



















Convencidos de caducidad
por tantas nobles certidumbres del polvo,
nos demoramos y bajamos la voz
entre las lentas filas de panteones,
cuya retórica de sombra y de mármol
promete o prefigura la deseable
dignidad de haber muerto

(La Recoleta - Jorge Luis Borges)

Pombos de Mayo



















os pombos,
a praça,
o menino,
à sombra
das mães
e dos mortos

























São casas simples com cadeiras na calçada
e na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
com a alegria que não tem onde encostar

Chico Buarque


















Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Drummond

Beira-rio



















Os dentes ao sol
E o escuro momento
Do girassol no muro
Enlouquecendo

Hilda Hilst

Sexta-feira, Novembro 02, 2007



















O que mais violentamente nos revolta está em nós.

(Bataille)

Domingo, Julho 22, 2007



















as janelas, sempre as janelas a me surpreender com suas paisagens
Fotos: Danilo Alexandre



















Toda história é remorso.
Drummond























Estamos sempre indo pra casa. Raduan Nassar


















A morte desobedece Deus em segredo.
Carpinejar


















Queríamos, pobres de nosotros, pedir auxilio; pero no había nadie para venir em nuestra ayuda.
Petrônio
Foto: Danilo Alexandre


















“o tempo é farto e generoso, mas não devolve a vida aos que não nasceram; aos derrotados de partida, ao fruto peco já na semente, aos arruinados sem terem sido erguidos, não resta outra alternativa: dar as costas para o mundo, ou alimentar a expectativa da destruição de tudo; de minha parte, a única coisa que sei é que todo meio é hostil, desde que negue direito à vida.” Raduan Nassar

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Olhares e dizeres da ocupação da Reitoria-USP 2007



















Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.

Manuel Bandeira

Ps. Sempre tem um fura-greve.


















Sou
o equilibrista que
no ar caminha
descalço
sobre um arame
de farpas

(Ricardo Piglia)

Ps. Por que ainda precisamos de símbolos fálicos?


















"Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa sobre nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso."
Walter Benjamin


















O maio de 2007 na USP. As barricadas do desejo?
Como tragédia? Como farsa?


















ocupação de dia...


















... e de noite


















Caminhando e cantando e seguindo a canção
somos todos iguais braços dados ou não...


















Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros...


















Autonomia? Para quem?


















Nada + nos U.N.E.


















"Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas, as margens, que o comprimem."
(Bertolt Brecht).



















A gente (Ainda?) somos inútil


















a torre do relógio...


















... e as antenas de TV


















Ainda é proibido proibir?


















Hai que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!



















Transmissão ao vivo diante das barricadas. Tudo muito imparcial.


















Dormitório Suely Vilela


















"O vampiro brasileiro"
José Simão


















É o fim.

Sexta-feira, Maio 11, 2007



















"Não se substitui o passado, apenas se acrescenta a ele um novo elo."
Paul Cézanne
Foto: Danilo Alexandre

Borracharia



















Entre o caos
E o profundo céu azul
escrevo a carvão
o nome das coisas

Walter Gam
Foto: Danilo Alexandre

Itaguaçu



















Ouvir algo novo é difícil e penoso
para o ouvido; ouvimos mal a música estranha.

F. W. Nietzsche

Foto: Danilo Alexandre

Pelé



















"Para que alguma coisa surja é preciso que alguma coisa desapareça. A primeira, configuração da esperança é o medo. A primeira manifestação do novo é o horror."
(Heiner Müller)
Foto: Danilo Alexandre

O Engenheiro



















A água, o vento, a claridade,
de um lado do rio, no alto as nuvens
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.

(João Cabral de Melo Neto)
Foto: Danilo Alexandre

Good morning



















É melhor ficar quieto do que falar bobagens; é melhor falar bobagens do que ser calado.
Pensamentos Indonésios
Foto: Danilo Alexandre